segunda-feira, 9 de março de 2026

Aprender com Jesus


“Por mais aflitiva seja a tua situação, ampara sempre, e estarás agindo no abençoado serviço de salvação a que o Senhor nos chamou.” (Emmanuel, no livro Fonte Viva, capítulo 139, psicografia de Francisco Cândido Xavier.)


Com frequência, a criatura humana, pensando em fazer algo que lhe ateste possibilidade de engrandecimento espiritual, procura por um modelo de virtude a ser seguido.
Dentre as personalidades que mais se destacaram no mundo, sem dúvida Jesus, com a máxima autoridade, é quem devemos tomar como guia e modelo, visando direcionar nossos passos rumo ao progresso moral, que tanta falta nos tem feito.
O Cristo, para trazer a Boa Nova à Terra, não precisou de títulos, aparato bélico, agitações sociais, movimentos reivindicatórios ou outra espécie de recursos ostensivos, apenas utilizou de superioridade natural, decorrente de sua evolução espiritual, como governador da Terra, contando com alguns discípulos, para que a humanidade conhecesse as lições imorredouras de seu Evangelho.
Dispensou a construção de templos e não fez quaisquer exigências quando espalhou os notáveis ensinamentos que se caracterizam, ainda hoje, como exemplares regras de boa conduta e convivência social.
Junto ao público que o acompanhava, destacavam-se pobres, estropiados, paralíticos, prostitutas, desiludidos, desequilibrados, idosos indefesos, mulheres famintas, que bebiam suas inquestionáveis e alvissareiras lições revestidas de alento e esperanças.
Jesus nunca procurava ostentação, nem tampouco se aproximava, por interesses escusos, de pessoa alguma que pudesse lhe atestar prestígio, fama ou poder. Estava sempre a servir ao irmão do caminho, fosse quem fosse e viesse de onde viesse, de forma totalmente desinteressada.
Suas vestes simples e seus gestos amorosos evidenciavam um comportamento humilde, embora fosse, sem duvida, a maior autoridade espiritual vivendo no mundo. Foi tão grande que soube colocar-se ao nível do povo para poder cooperar com todos.
Nunca disse que tal religião seria melhor que outra e nem que Deus preferiria mais esse ou aquele. Com vigor pregava a igualdade entre senhores e escravos, ricos e pobres, fortes e fracos, chegando a dizer que não viera para os sãos, mas sim para os doentes, para aqueles que dele precisavam.
Esse, naturalmente, deve ser o nosso guia e modelo.
Observando Jesus não teremos qualquer dúvida sobre como pautar a nossa vida, buscando viver no mundo de forma a se caracterizar como um verdadeiro cristão.
Libertemo-nos das grossas algemas do egoísmo, que enormes prejuízos têm nos causado e nos preocupemos em prestar serviços à humanidade, usando os talentos que a Divina Providência nos agraciou.
Público idêntico ao que seguiu o Cristo, há dois mil anos, ainda continua de mãos estendidas, carregando no íntimo as mesmas dores, as mesmas aflições e amarguras. O que estamos fazendo por ele?
Como estamos utilizando o nosso tempo, os nossos recursos, as nossas potencialidades? A humanidade é a nossa família, pois que, enquanto existir uma única criatura em sofrimento, na verdade, a dor é de todos nós e o trabalho ainda está por fazer.
Estudemos, com afianço e dedicação, o Evangelho do Cristo e não teremos dúvidas de como deveremos seguir pela vida, tornando os nossos dias repletos de ações que redundem no bem do próximo.
Em verdade, no mundo, o que há de mais moderno são as lições de Jesus Cristo. Conhecê-las, estudá-las e colocá-las em prática: essa deve ser a nossa urgente e inadiável preocupação, se realmente estamos interessados na paz e na felicidade nossa e daqueles que caminham conosco. Reflitamos.

Waldenir A. Cuin

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O que é a reforma íntima apregoada pelo Espiritismo?


Reforma íntima é o processo de aprimoramento da pessoa. O conhecimento do Evangelho do Cristo e das verdades reveladas pelos Espíritos leva-nos a rever o conceito que temos da vida. Compreendemos que somos quais náufragos refugiados provisoriamente em uma ilha, mas com retorno certo para o nosso país de origem – o mundo espiritual. As coisas da Terra passam a ter para nós uma importância relativa, ou seja, os bens materiais são utilidades necessárias à nossa sobrevivência e devem ser usados com parcimônia, em nosso benefício e da coletividade, porque dependemos uns dos outros. As agruras e sofrimentos daqui são suportados com mais resignação e coragem, pois sabemos que têm seu termo com a viagem de volta – a desencarnação. E entendemos que o amor ao próximo não é simplesmente uma proposição religiosa, mas uma lei regulando a vida dos seres e determinando a nossa própria felicidade, porquanto recebemos na mesma medida em que damos.
Ao contato dessas novas informações, estabelece-se em nós uma luta, no sentido da expressão do Cristo quando disse que não veio trazer a paz, mas a espada. E é exatamente assim: perdemos a nossa paz. Não a verdadeira, mas a ilusória, que significa acomodação, indiferença. Passamos a guerrear conosco mesmo. Temos agora novas lições a seguir, mas o indivíduo velho, orgulhoso, egoísta e vingativo ainda teima em permanecer em nós. Como no dizer do apóstolo Paulo: o bem que quero fazer não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço (Romanos, 7:19). A nossa consciência até então tranquila já não nos deixa dormir sem refletir nos erros que cometemos sucessivamente. Passamos a nos arrepender das atitudes infelizes e para nosso sossego buscamos a conciliação com quem ferimos. Isso tudo é para nós muito desgastante e doloroso. Para evitar outros erros e novos sofrimentos, estabelecemos uma ação preventiva, vigiando a nossa conduta, dedicando-nos mais à oração e às leituras sadias, abandonando vícios e hábitos perniciosos. Esse é o primeiro passo da reforma íntima.
Daí entra-se numa segunda fase, que decorre do ensinamento evangélico de que devemos fazer ao próximo todo o bem possível, tudo aquilo que desejamos para nós mesmos. Em razão dele também o lema espírita: Fora da caridade não há salvação. Por outras palavras, não basta simplesmente não fazer o mal, não errar, mas é preciso fazer o bem. Quem não faz o bem, automaticamente está fazendo o mal por omissão, causa de tanta miséria e ignorância no mundo. Ciente disso, o candidato disposto à autorreforma abandona o comodismo, vence a inércia e lança-se ao trabalho de ajuda às crianças abandonadas, à velhice desamparada, aos miseráveis e aos doentes. Já é um grande passo. Mas ainda assim, o bem em nós é quase um dever, que nem sempre cumprimos de boa vontade. Fazemos a caridade porque sabemos que deve ser assim, que é o melhor, que haverá uma recompensa divina, mesmo que seja ela espiritual.
Finalmente, a reforma íntima chega ao seu final quando fazer o bem torna-se um prazer. É uma ação incorporada à nossa personalidade, manifestando-se espontaneamente, sem que por ela esperemos qualquer recompensa. Então, já não seremos mais meros aprendizes, mas servos do amor de Jesus na grande obra de implantação da paz nos corações.

Donizete Pinheiro
https://agendaespiritabrasil.com.br/2021/09/04/o-que-e-a-reforma-intima-apregoada-pelo-espiritismo/

Nota do Autor:
Texto do capítulo 27 de livro do autor.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O sentido de evoluir: uma visão espírita


“Sede, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.” - Mateus, 5:48.

Por que evoluir, e o que é evoluir, dentro da ótica espírita?
A Doutrina Espírita, revelada pelos Espíritos Superiores e codificada por Allan Kardec, ensina-nos que a evolução é a lei suprema da vida. Tudo no Universo caminha em direção ao aperfeiçoamento: desde o átomo até o arcanjo, como afirma O Livro dos Espíritos. O ser humano, em sua longa trajetória milenar, vem conquistando, passo a passo, a consciência de sua imortalidade e o senso de responsabilidade perante as Leis Divinas.


1. O despertar da consciência

Por muitos séculos, reencarnamos mergulhados nas experiências materiais, em que a luta pela sobrevivência e a satisfação dos instintos imediatos predominavam sobre as aspirações da alma. Nesse estágio, como ensina Joanna de Ângelis, vivemos um “sono sem sonhos”, em que “a consciência se mantém adormecida, e o ser atua apenas pelos automatismos orgânicos e psíquicos elementares”. A vida, então, restringe-se ao efêmero: trabalho, prazer, poder, posse. Mas, inevitavelmente, surge o vazio — o sofrimento — que nos desperta para perguntas mais profundas: Quem sou eu? Para onde vou? Qual o sentido de viver?


2. O papel do sofrimento na evolução

O sofrimento, sob a ótica espírita, não é castigo, mas consequência educativa de nossos próprios atos. Ele atua como um mestre severo, mas justo, conduzindo-nos ao reajuste moral e espiritual. Cada dor, cada perda, cada decepção, quando bem compreendida, é um convite à transformação íntima, à revisão dos valores e das condutas. Como ensina Emmanuel, “a dor é a bênção que desperta o Espírito para a luz”.


3. O caminho da superação do ego

Com o passar das encarnações, começamos a acordar do sono sem sonhos e ingressar no sono com sonhos, conforme descreve Joanna. Nessa fase, a alma desperta para ideais mais elevados, impulsionada pela determinação pessoal aliada à vontade, que conduz o ser à descoberta da finalidade da sua existência e das aspirações do que lhe é essencial. Passamos, então, a buscar o sentido da vida não nas aparências, mas no ser, e percebemos que evoluir não é um dever imposto, mas uma necessidade natural do Espírito que anseia pela plenitude.


4. Viver Jesus: a plenitude do ser

Evoluir é despertar. É deixar de ser guiado apenas pelos instintos e pelas ilusões do ego para viver sob a luz da consciência e do amor. É compreender, como nos ensina o Cristo, que o Reino de Deus não vem com aparências exteriores, porque “o Reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:21). A verdadeira evolução ocorre, portanto, de dentro para fora, através da reforma íntima, da superação do orgulho e do egoísmo, e do cultivo do amor universal.


5. A consciência cósmica e a união com o divino

É nesse contexto que compreendemos que viver Jesus não é apenas segui-Lo exteriormente, mas assimilar o Seu modo de ser, transformando nossas atitudes e sentimentos à luz do Evangelho. Jesus é o modelo da consciência cósmica realizada — o Espírito que atingiu a perfeita união com o Pai. Quando afirmou: “Eu e o Pai somos Um” (João 10:30), expressava o estado supremo de integração com as Leis Divinas, não por ser Deus, mas por haver alcançado a perfeita sintonia com o Amor Universal.


6. Transcendendo o ego e servindo ao mundo

A evolução espiritual nos convida, portanto, a transcender o ego, a libertar-nos das ilusões do poder e do interesse pessoal. Gandhi, em seu exemplo sublime, mostrou-nos a força do Espírito que age além do ego — que ama, serve e transforma sem recorrer à violência. Assim também cada um de nós, ao renunciar às paixões inferiores, torna-se instrumento do bem e da paz no mundo.


7. A verdadeira felicidade e o reino de Deus interior

As ciências, as filosofias e as religiões, cada uma a seu modo, buscam compreender a vida e o ser. Contudo, somente pela evolução interior, pelo autoconhecimento e pela vivência do amor, é que alcançaremos a visão mais ampla — a que Joanna chama de consciência cósmica. Nesse nível de percepção, o Espírito identifica-se plenamente com os ideais superiores da Criação, participando da harmonia divina e tornando-se colaborador de Deus na obra do progresso universal.


Conclusão

Evoluir, enfim, é elevar-se em direção à luz, libertar-se da ignorância e da dor, e viver a plenitude do amor. É compreender que a vida não é uma sucessão de acasos, mas um roteiro de aprendizado, cuidadosamente traçado pela Sabedoria Divina. Quando despertamos para essa realidade, passamos a ver a existência com outros olhos — os olhos da alma — e percebemos que o sentido de evoluir é, em última instância, aprender a amar como ama o Cristo.


Wagner Ideali

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quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Não se deprecie


"Não se deprecie." - André Luiz

Não coloque a sua felicidade em mãos alheias.
Cada qual está procurando sua própria felicidade.
Não permita que outra pessoa determine o que pode ou não lhe fazer feliz.
Apenas você sabe o que faz bem e o que faz mal ao seu coração.
Seja o condutor de sua vida, o capitão de seu barco, o dono de suas decisões.
A felicidade é decorrente de divisões, nunca de subtrações.
Quando lágrimas superam os sorrisos é hora de para e pensar o que se está fazendo da própria vida.
Pequenos sacrifícios em nome da paz são sempre bem vindos, mas sacrifícios intermináveis capazes de causar dano e sofrimento não.
Ame sempre, doando-se como achar melhor e de acordo com sua resistência e vontade, mas não permita que os outros transformem a sua estrada em mar de espinhos em nome do amor.
A sua felicidade pertence exclusivamente a você.
Quando o respeito sustenta e engrandece seu bem estar, naturalmente você é capaz de levar felicidade aos outros.
Sorriso atrai sorriso.
Abraço atrai abraço.
Amor atrai amor.
Mas desrespeito, descaso, desprezo e solidão atraem apenas o pranto, que amarga a vida e destrói sonhos e esperanças.
Cuide-se.
 
Instituto André Luiz

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quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Pequeninos prazeres


Momentos!...
Nossa existência, assim como os filmes e novelas, é fragmentada.
É feita de momentos. De passagens ora alegres, ora tristes, mas que fluem sempre.
Viver é atravessar portas que nos conduzem à salas que se sucedem infinitamente.
Neste movimento, como é natural, escolhemos permanecer mais tempo nas salas alegres, enquanto que buscamos fugir rapidamente das tristes, forjando rotas de fuga de acordo com nossa criatividade e determinação.
Em horas assim podemos adquirir hábitos que nos torturarão os dias lá na frente.
Surgem como pontos de apoio aos maus momentos, pequeninos prazeres que ajudam a superar horas tristes ou dias sem viço.
De tão normalizados, sua validade parece incontestável.
São as amizades "leves", aquelas que nos alegram momentaneamente o coração com suas gracinhas e inconsequências.
É a roda de amigos no bar.
É o álcool turvando a mente.
A alimentação exagerada.
Os encontros infelizes.
É o romance de uma noite, o sexo casual.
A piada que faz gargalhar, o humor chulo, a fofoca, as drogas, a diversão deprimente, os desvios mascarados de "cult", "cool" e etc.
É certo que ninguém precisa sucumbir ao sofrimento, se deixar arrastar pela dor, ou viver num mundo a parte, distanciado do que acontece ao seu redor.
É instintivo que se procure, nas horas tristes, um caminho alternativo, algo que traga alívio, da mesma forma como tomamos alguma medicação sempre que o corpo acuse dor ou desconforto.
Rir é bom, é saudável.
Não se deixar abater pelas provas da vida é sinal de maturidade.
Preservar a serenidade nos dias difíceis poupa o corpo e a alma de sofrimentos maiores.
O que queremos anotar aqui são as rotas de fuga infelizes.
Nada demais experimentar um drinque de vez em quando, se é do gosto da pessoa, rir de uma anedota, confraternizar, apreciar um bom prato.
Se não estamos bem, é importante que se busque algo que possa melhorar o ânimo.
Há multidões de pequeninos prazeres, e alguns podem efetivamente colaborar no retorno de nossa paz e bem estar.
O que André Luiz explica aqui é que existem determinados "pequeninos prazeres" que podem intoxicar nossa alma e destruir nossas melhores esperanças.
Citamos alguns acima.
Outros, talvez só você conheça ou procure.
Vivemos tempos em que o mal que ainda habita entre nós luta para que o obsceno vire o novo normal. Consumimos orientações neste sentido o tempo todo.
É quando aquilo que piora o que já está ruim, acaba virando hábito degradante, vício pernicioso.
Aquilo que termina por derrubar o que já está em queda.
Entre risos e "cachacinhas", lá se vai a vida.
Entre quitutes e guloseimas, lá se vai a saúde.
Entre intimidades aviltantes, lá se vai o equilíbrio.
Entre juízos irrelevantes e "conversa fiada", lá se vai a sanidade.
Se o caminho para sair de um quadro enfermiço passa pela alegria e pelo bom convívio, busque-o.
Alimente-se com qualidade, brinde com os amigos e familiares, ria muito, divirta-se.
Sim, você pode e deve fazer isso.
Mas escolha bem como fazer, com quais ingredientes e com quem.

Instituto André Luiz

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